domingo, 19 de setembro de 2010

Biografia Musical

Todo mundo, de algum jeito, carrega músicas que são marcas na sua vida, registro e lembrança de episódios marcantes. Nesse caso, ao ouví-las, ou apenas lembrar de um refrão faz a gente viajar ao passado, significando rever, reviver, relembrar de coisas, pessoas, acontecimentos. A trilha sonora da minha vida é extensa, pois desde muito cedo adiquiri uma sensibilidade musical muito forte. Creio que a primeira música com a qual me emocionei, tipo: ouvi, parei, pensei, refleti e chorei foi O ÉBRIO, de Vicente Celestino: "Tornei-me um ébrio e na bebida busco esquecer...". Depois disso, quantos porres tomei buscando o esquecimento de alguém! Noutro tempo bem distante da minha infãncia, enquanto Djavan cantava me mandando sorrir, numa versão de SMILE, de Charles chaplin, chorei e bebi durante uma tarde inteira. Acho que tenho um espírito meio grego, dado à tragédia. Sou sensível às minhas dores e às dores alheias, principalmente às dores da alma. Assim, nos dias de hoje Altemar Dutra e Los Hermanos me deixam extasiado retratando o meu excesso de sentimentalidade.
Ainda na infância, lembro-me de cair em prantos ao ouvir Teixeirinha cantar CORAÇÃO DE LUTO. Ficava imaginando aquele menino chegando da escola e encontrando a mãe queimada, morta em sua casa; me transportava para o seu lugar e sofria me vendo órfão, sinônimo de abandonado, sozinho. A solidão ou a expectativa dela sempre me exasperou e por isso derramava rios de lágrimas ao aouvir meu pai cantar "... os olhinhos do menino marejou quando o seu pai viajou...", de  Luiz Vieira. Nessa ideia de transposição de lugar, também muito chorei ouvindo Luiz Gonzaga cantar a sua TRISTE PARTIDA, imaginando a saudade que aquela menina ia sentir do seu gato e dos seus brinquedos.
O bom é que há músicas para todas as situações e para todos os sentimentos. Lembro-me da primeira vez que ouvi o Queen cantando WE ARE THE CHAMPIONS. Sinônimo de impulso de vida, tipo: tá foda mas eu sobrevivo e vencerei, e assim quando fico fraco e abatido "puxo" essa música e deixo rolar no meu aparelho de cd ou dvd ou na memória e então as coisas mudam de figura. Hoje, quando estou meio down, vivenciando os dramas e dilemas dos 40 e tantos anos, escuto Los Hermanos cantar O VELHO E O MOÇO, e então fico melhor ou pior, mas com a sensação boa de que estou vivo, sabendo que "não sei medir nem tempo e nem medo". Mas meu maior pranto foi escutando Chico Buarque de Holanda cantarolar nos meus ouvidos EU TE AMO, enquanto desarrumava guarda-roupa, separava e recolhia as minha coisas.

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