
Ainda na infância, lembro-me de cair em prantos ao ouvir Teixeirinha cantar CORAÇÃO DE LUTO. Ficava imaginando aquele menino chegando da escola e encontrando a mãe queimada, morta em sua casa; me transportava para o seu lugar e sofria me vendo órfão, sinônimo de abandonado, sozinho. A solidão ou a expectativa dela sempre me exasperou e por isso derramava rios de lágrimas ao aouvir meu pai cantar "... os olhinhos do menino marejou quando o seu pai viajou...", de Luiz Vieira. Nessa ideia de transposição de lugar, também muito chorei ouvindo Luiz Gonzaga cantar a sua TRISTE PARTIDA, imaginando a saudade que aquela menina ia sentir do seu gato e dos seus brinquedos.
O bom é que há músicas para todas as situações e para todos os sentimentos. Lembro-me da primeira vez que ouvi o Queen cantando WE ARE THE CHAMPIONS. Sinônimo de impulso de vida, tipo: tá foda mas eu sobrevivo e vencerei, e assim quando fico fraco e abatido "puxo" essa música e deixo rolar no meu aparelho de cd ou dvd ou na memória e então as coisas mudam de figura. Hoje, quando estou meio down, vivenciando os dramas e dilemas dos 40 e tantos anos, escuto Los Hermanos cantar O VELHO E O MOÇO, e então fico melhor ou pior, mas com a sensação boa de que estou vivo, sabendo que "não sei medir nem tempo e nem medo". Mas meu maior pranto foi escutando Chico Buarque de Holanda cantarolar nos meus ouvidos EU TE AMO, enquanto desarrumava guarda-roupa, separava e recolhia as minha coisas.
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